Deputado decide por não protocolar mais o projeto para mudar o Hino Rio-Grandense


Depois da repercussão ocorrida na posse na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, no dia 01 de janeiro, quando cinco parlamentares do PSOL, PT e PCdoB protestaram contra o Hino Rio-Grandense, o deputado Luiz Fernando Mainardi (PT) elaborou uma proposta, estabelecendo um debate, para uma possível apresentação de projeto na Assembleia Legislativa para mudança da letra do referido hino.

O parlamentar anunciou que não pretende mais protocolar o projeto, apresentando a mudança do texto que apresenta "povo que não tem virtude acaba por ser escravo". A sua assessoria, procurada pelo Departamento de Jornalismo da Rádio Planalto News, no início de janeiro, disse que o deputado não iria mais se manifestar sobre o assunto.


Mainardi encaminhou artigo ao jornal Zero Hora, publicado também na íntegra em sua página na rede social. Disse que o hino precisa unir a todos. Ele escreveu: "Não pretendo protocolar o projeto que pensei em apresentar. Não porque tenha mudado de opinião, mas porque a centelha que assoprei trouxe à baila um conjunto de argumentos e visões que acho fundamentais serem aprofundadas, de forma que seja possível construirmos uma solução que obtenha se não o consenso, pelo menos uma maioria social sobre o assunto." O texto publicado pelo deputado, podendo ser acompanhado pelo Facebook, consta dos seguintes termos:

Luiz Fernando Mainardi: "Um hino precisa unir a todos"

"Interpretações precisam ser analisadas com respeito e tolerância"

A ideia de alterar o hino rio-grandense na estrofe que deixa margens para uma interpretação que fere a dignidade humana não é nova. Historiadores, jornalistas e ativistas negros já falaram sobre isso. Basicamente, esta interpretação sustenta que o verso “...povo que não tem virtude acaba por ser escravo” joga sobre os escravizados – negros ou não – a responsabilidade pela própria condição da escravidão na medida em que seriam “pessoas sem virtude”. Uma narrativa que, evidentemente, não é mais aceitável.

Reconheço como legítimas e respeitáveis as interpretações diferentes, sustentadas também por historiadores, jornalistas e membros do movimento tradicionalista. A interpretação tradicional diz que o verso em pauta pretende retratar uma relação de revolta contra o então Império brasileiro e não se refere à prática da escravidão. O que é sustentável, evidentemente. Ambas interpretações precisam ser analisadas com respeito e tolerância.

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