Justiça apura envolvimento de facção com prefeito e vice na eleição de Sarandi


do envolvimento de uma facção criminosa com a eleição para prefeito no município de Sarandi, no noroeste do Rio Grande do Sul, levou o Ministério Público a ingressar, em dezembro de 2020, com Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra a chapa que venceu as eleições, o prefeito Nilton Debastiani e o vice Reinaldo Nicola, ambos do PDT. As informações foram publicadas no site GaúchaZH.

As investigações começaram, quando em 4 de novembro de 2020, a polícia abordou os tripulantes de um Audi. A motorista não tinha habilitação, mas o que despertou suspeitas nos policiais foi a postura do passageiro, que tentava quebrar o próprio telefone celular.

Autorizada pela Justiça, uma varredura no aparelho revelou indícios que demonstrariam envolvimento de uma facção criminosa com a eleição para prefeito no município de 25 mil habitantes. A Justiça de Sarandi recebeu a investigação inicial do MP — pedido de abertura de processo — e mandou citar os quatro réus para apresentação de defesa prévia.

Segundo o MP, os integrantes da facção são Gilberto Ribeiro Bueno e Guilhermo Beck da Silva. Gilberto, flagrado tentando destruir o celular durante a abordagem policial, foi preso preventivamente em 31 de dezembro, em Palmeira das Missões, por envolvimento com o tráfico de drogas. Diálogos, trocas de mensagens e fotografias expõem a atuação eleitoral da dupla e sua relação com os políticos. Numa das conversas obtidas, eles combinam ações contra os adversários eleitorais.

Durante a investigação, Nicola é citado como interlocutor frequente da chapa junto a Gilberto e Guilhermo. "Inequívoca a devoção de ambos a Nicola, a quem chamam de patrão, chefe ou homem, a indicar superioridade hierárquica", escreve Aro, para quem "o liame deles com o candidato a vice, Reinaldo Nicola é inequívoco". Conforme afirma o promotor, Nicola, que não aparece falando em conversas transcritas na ação, seria inclusive o responsável por pagar a defesa dos integrantes da facção que estariam presos.

Na ação, o MP afirma que o caso extrapola a questão eleitoral, mas que eventuais representações criminais serão tratadas em outra esfera. Ao citar o emprego na campanha eleitoral de "armas de fogo e atemorização coletiva", Aro lembra ainda que "nem mesmo o juridicamente sagrado voto popular pode convalidar tamanha irregularidade".

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